Pomodoromusical

Há algum tempo eu conheci um método de produtividade bem interessante, a Técnica Pomodoro. Queria ter escrito a respeito dela aqui, mas sabe como é: com tudo que estava (e ainda está) rolando, foi difícil achar tempo e presença de espírito para isso. Mas um resumo da técnica é o seguinte: você divide o seu dia de trabalho em pequenas unidades de 25 minutos, chamadas Pomodoros. A ideia de cada pomodoro é ser uma unidade de trabalho (ou estudo, ou concentração em uma tarefa) puro e sem interrupções. Sem enrolação. Coisas como verificar emails, Twitter e responder gente no MSN ou Facebook ficam para os intervalos: 5 minutos entre um pomodoro e outro, com um intervalo maior, de 25 ou 30 minutos, a cada quatro intervalos de 5. 

Eu uso a técnica, mas não regularmente, e certamente não uso da forma completa, conforme é explicada no site e no livro (download grátis, PDF). Mas ontem eu bolei uma adaptação interessante da técnica, que é um pouco menos severa, e acho que combina melhor com o meu estilo de trabalho: o Pomodoro Musical

É simples: em vez de usar uma unidade de tempo fixa (o pomodoro de 25 minutos), eu resolvi usar uma unidade mais flexível, além de mais empolgante e estimulante: um álbum de alguma banda que eu goste. Geralmente os álbuns das bandas que eu ouço têm algo entre 40 e 60 minutos de duração, então resolvi que colocaria algum para tocar, sem shuffle, sem repeat, e trabalharia loucamente enquanto ele estivesse tocando, só parando depois da última música. 

Cake-showroom-of-compassion

Foi esse que eu ouvi ontem, enquanto testava a técnica. Experimente.

Logo vi que precisava bolar algumas regrinhas pra tornar isso mais realista e funcional:

1. Como 50 minutos em média é tempo demais para trabalhar sem interrupção alguma, decidi me permitir responder pessoas no MSN/GTalk sempre no momento em que uma música termina e outra começa. Mas isso é apenas para coisas que precisem da minha atenção urgente. Responder gente no Facebook e no email, por exemplo, fica para o período de intervalo entre um álbum e outro. 

2. Se o álbum for bastante longo, ou eu não estiver tão atrasado com o serviço, escolho uma "música de intervalo" dentro do álbum. Quando tocar essa música, eu posso levantar, esticar as pernas, olhar o mundo lá fora pela janela do quarto (trabalho em casa). Ou posso usar esse tempo para responder algum email não relacionado a trabalho, ler a minha timeline de cima abaixo etc. 

3. Quando o álbum terminar, obrigatoriamente faz-se um intervalo um pouco maior, de uns 15 minutos. 

Você pode notar que todas as regras têm a ver com fazer intervalos, mas uma coisa que a técnica Pomodoro me ensinou é que a pessoa geralmente trabalha bem mais e melhor e souber que terá um intervalo daqui a pouco. E se você põe na cabeça que o intervalo é obrigatório e que você não pode trabalhar durante ele, isso também faz com que você se dedique e renda mais enquanto não está em intervalo. Isso é bem melhor do que trabalhar sem foco o dia inteiro. 

É claro que a minha variação da técnica tem seus lados negativos. Por exemplo: é raro, mas tem dias que eu prefiro trabalhar em silêncio. Ou outros em que eu não estou empolgado com nenhuma música que eu tenha para ouvir. Você, por outro lado, pode não trabalhar sozinho, como eu, e não ter a possibilidade de trabalhar e ouvir música ininterruptamente em paz. Ou seja, essa variação da técnica obviamente não funciona pra todo mundo, o tempo todo. Nem pra quem funciona ela é boa o bastante para ser usada todos os dias, durante toda a jornada de trabalho. É só uma técnica para aumentar a produtividade em momentos mais críticos. 

Os lados bons também existem: ouve-se mais música, conhece-se mais música (preciso sempre ter algo empolgante para ouvir trabalhando, afinal), trabalha-se (geralmente) de melhor humor, ouve-se o CD inteiro, na ordem... Sem contar que quando um álbum termina e você faz o intervalo, fica louco para voltar a trabalhar só para poder ouvir mais música.  

Então era isso. Técnica explicada, registro feito, agora é hora de voltar ao meu trabalho. O próximo álbum será o meu vício da semana: Lonely Avenue, de Ben Folds com Nick Hornby

Se você for testar esse meu método esquisito, comente aí sobre qual vai ser o seu álbum de estreia. ;)